Uma pergunta sobre os fatores determinantes das taxas de juros de um país, formulada por uma amiga em Angola.
Na minha opinião, as taxas de juros são o instrumento mais poderoso de Política Monetária de um país e estão fortemente conectadas com o valor da moeda.
É um resultado da Oferta e Procura por capital e tem como referência a manutenção do poder de compra de um país. Com inflação alta, as taxas de juros devem ser aumentadas, para reduzir a atividade econômica e restabelecer os preços de bens e serviços dentro da economia. Com a inflação baixa, pode indicar um princípio de recessão econômica e as autoridades monetárias do país reduzem a taxa de juros para incentivarem o consumo e reativarem o crescimento econômico.
Historicamente, as taxas de juros correntes tendem a se estabelecer em duas vezes o valor da inflação. Digamos que haja 5% de inflação no ano, as taxas de juros deverão buscar o nível de 10% para repor o poder de compra da moeda e criar o interesse a poupança, em detrimento do consumo (postergar consumo, teoria das taxas de juros de Irving Fisher, NY, 1930).
Além destes fatores básicos sobre as taxas de juros, temos outros elementos importantes, a saber:
O mundo globalizado, onde o capital tem livre fluxo e as economias dos países estão interligadas pelo comércio exterior, as taxas de juros internas de uma economia tem influência direta nas taxas de câmbio. As autoridades monetárias utilizam a taxa de juros para conter inflação (aliado a um grupo de leis que permitam e flexibilizam as importações). Ao aumentar a taxa de juros, criamos uma diferença a favor ou uma redução de diferença negativa entre taxas de juros de duas moedas. Este movimento atrairá investidores externos que, ao comprar a moeda do país, estarão vendendo a outra moeda, fazendo com que a cotação da moeda nacional tenha uma valorização em relação à outra. Isso torna os produtos importados mais baratos que aqueles produzidos internamente, controlando a inflação. O Brasil utiliza este mecanismo já há algum tempo para controlar a inflação. Nos países desenvolvidos, onde há uma melhor distribuição de renda esse mecanismo afeta diretamente os preços, nos países em desenvolvimento, como Angola e o Brasil, uma parcela pequena da população detém a maior parte da riqueza. A maioria da população é insensível a estas mudanças na taxa de juros por não terem sobras de recursos para poupar. Então, a taxa de câmbio mais baixa torna os produtos importados mais acessíveis que os produzidos no país, criando concorrência e forçando os preços para baixo.
Outro fator determinante das taxas de juros de um país é o total de dívida pública emitida em relação ao tamanho da economia (PIB).
A Credibilidade do país em termos de risco, relativo aos números macro-econômicos e sobretudo a “willingness to pay”, ou seja, a intenção de pagar suas dívidas.
Depois disso, passamos para estabilidade política, leis bem estruturadas que protejam o capital.
E, ainda, a austeridade do Banco Central ou Autoridade Monetária em controlar com firmeza a expansão da Base Monetária. Controle forte sobre a emissão de moeda.
A SELIC é uma sigla, na verdade: Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC.
A Taxa SELIC diária é o resultado da média ponderada das operações registradas e custodiadas nesta câmara de liquidação, portanto, é o resultado da oferta e demanda de capital do sistema financeiro que é lastreado pelos títulos emitidos pelo Tesouro nacional do Brasil. A TAXA SELIC, é uma taxa referencial arbitrada e definida como indicador pelo COPOM, Comitê de Poliítica Monetária, composto pelos oito membros da Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, com direito a voto, sendo presidido pelo presidente do BACEN, que tem voto de qualidade.
Desta forma, a SELIC é determinada pelo COPOM baseada em fatores macro-econômicos, com base central no sistema de metas de inflação.
A LIBOR, também uma sigla, London InterBank Offered Rate, é uma taxa arbitrada, obtida através de pesquisa com bancos de primeira linha do mercado Inglês, ponderada nos períodos de tempo dos preços submetidos pelos bancos pela British Bankers Association. A LIBOR é “publicada” as 11 horas da manhã, todos os dias úteis, nos meios de comunicação como a Reuters, Bloomberg, etc. A LIBOR dos prazos tem fundamento na oferta e demanda de capital naquele dia e representa a taxa de juros que um banco está “disposto” a emprestar dinheiro a outro, com risco de crédito zero (sem risco, sem spread de risco).
Em todos os empréstimos internacionais de prazos de até 1 ano, a LIBOR é a taxa usada como referência, por ter credibilidade e infalibilidade da liquidez dos mercados que ela representa pelos volumes negociados no mercado britânico. Operações de prazos superiores, em dólares americanos, superiores a 1 ano, utilizamos a taxa de tesouro nacional americano (T Bonds). Na Europa, usamos a LIBOR até um ano e Bundespapier (Tesouro Alemão) para prazos superiores a um ano, como referência para os empréstimos. O tesouro alemão é o risco zero, para o Euro.
Good analysis!! Straight to the point as usual!!
Um pedido de aluno tambem: se possivel voce postar no futuro como o BACEN “pratica” a politica monetaria…embora simples, TODO mundo se confunde.
Os jornalistas se enrolam ao explicar esta questao, que eh relativamente simples: para aumentar a SELIC, ele vende titulos no mercado para enxugar a liquidez OU para diminuir a SELIC, ele compra os mesmos titulos para jogar liquidez no mercado.
O Sr ja deve ter isso pronto na cabeca!! hahahaha!!
Parabens pelo blog!
Thales
Grande Thales! Sim, vou postar isso, boa idéia, thank you!