Opções: calls e puts. O que são?

As opções, são instrumentos derivativos, que, como o próprio nome já diz, são instrumentos que dão o direito mas, não a obrigação, do comprador exercer uma compra (call) ou uma venda (put) de um determinado ativo, a um preço pré-estabelecido (preço de exercício) dentro de um período de tempo até seu vencimento final (no caso, opções “estilo Americano”). As opções, como derivativos, tem seu preço “derivado” do ativo subjacente. No meu post anterior eu cito as ações da Petrobrás como o ativo subjacente. As opções são lançadas por instituições financeiras e listadas como “séries abertas” na Bolsa de Valores. As opções mais líquidas (com mais negócios realizados) são aquelas com preços de exercício mais próximos do preço da ação naquele momento (os gregos: beta, delta, gamma, theta, definem estes temas, precisamos nos aprofundar mais aqui…), juntamente com a proximidade de vencimento da opção. O direito de comprar ou vender a ação no preço estabelecido pelo preço de exercício tem vencimento, as ações não. A avaliação do preço da opção é baseado em oferta e procura, valor intrínseco e valor temporal. Quanto mais longa a opção, maior o valor temçporal que ela tem (uma probabilidade existe que os preços do ativo subjacente pode chegar ao preço de exercício ao longo deste tempo até o vencimento da opção. Se o preço de exercício (strike price) for de R$ 26,00 para março, e a ação está sendo negociada hoje a R$ 28,00, esta opção tem um valor intrínseco de R$ 2,00 mais o valor temporal, que é calculado com base no CDI pelo período. Inversamente, se esta ação estivesse sendo negociada hoje a R$ 25,00, a opção não teria valor intrínseco e seria cotada apenas baseada na oferta e procura e no valor temporal. Ao chegar a data de vencimento desta opção, sem valor intrínseco e agora (por causa do vencimento) sem valor temporal, ela “vira pó”… como o termo usado pelo mercado. Significa dizer que ela não tem valor algum e todos os detentores desta opção não tem valor algum para realizar.

As opções são instrumentos poderosos pois proporcionam alavancagem financeira e proporcionam oportunidades de estratégias de proteção (hedge) contra variações indesejadas nos preços e, ainda, proporcionam possibilidades estratégicas de montarmos operações estruturadas lastreadas em opções que protegem contra perdas e beneficiam tanto de altas como de baixas nos mercados. Se o investidor acredita que as ações irão subir, com um valor muito inferior ao de comprar as ações diretamente ele pode adquirir opções call com uma fraçao do valor e se beneficiar da alta. Ao chegar no vencimento, se a ação não subir, ele perde o valor investido. Da mesma forma, se ele acha que o mercado irá cair, ele pode comprar opções put, proteger seu portfólio ou apenas ganhar direcionalmente se o mercado cair. Sempre, com o risco controlado de perder apenas o valor investido. Para o lançador (vendedor de opções) o risco é imenso, portanto, para os investidores não profissionais ou inciantes, só devemos vender opções cobertas, como no exemplo que dei anteriormente, onde você é dono das ações e vende calls contra sua posição. Se o mercado subir, você terá que entregar suas ações e guardar o lucro da venda dos calls (quando você vende uma opção, você recebe o prêmio em dinheiro, número de opções vezes o preço das opções). Se o mercado cair, você guarda as opções e também o dinheiro do prêmio recebido pela venda dos calls. Para o mercado, venda de opções cobertas é a garantia de risco zero, pois o investidor tem o “lastro” da posição física das ações que ficam custodiadas (bloqueadas) como colateral da transação. Em termos genéricos é isso. No Brasil, infelizmente, ainda não temos séries líquidas de opções put para as ações, teremos num futuro próximo.
Caso queiram explicações maios aprofundadas sobre este tema ou outros, mandem mensagens e eu respondo com prazer.

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4 Responses to Opções: calls e puts. O que são?

  1. Marcos says:

    Ola Ricardo,
    pode por favor considerar em algum post futuro algum aprofundamento no lançamento de opçoes “bem” ITM para ser exercido ?
    Como posso analisar se uma opçao tem naquele momento um “bom” VE para que eu lance, esperando obviamente ser exercido, porem ganhando na taxa da operacao ?
    Exemplo tirado do fecahmento de ontem (para que eu possa entender minha pergunta……):
    Tenho 1000 X VALE5 = $ 50,42
    Lanço 1000 X VALEB48 = R$ 3,23 ( no site da ICAP diz que o preço teórico é de R$ 2,90, por isso que entendo ser uma boas oportunidade)
    Quase certo que serei exercido em 21/02
    Na data de exercicio, estando VALE5 até R$ 51,23 (R$ 3,23 + R$ 48,00), estarei “ganhando”.
    É correta essa analise ? Como buscar oportunidades olhando os preços teóricos ?
    abr!
    Marcos

    • tradingcafe says:

      Oi Marcos, sim é o mesmo exemplo. No caso dos 3,61% vc calcula com: (preço de exercício+prêmio da opção) – preço de compra/preço de compra
      assumindo que você será exercido. Se você não for exercido, você incorpora o valor do prêmio recebido da venda do call no preço de compra, trazendo seu preço de entrada na posição para baixo. Exemplo, compra de PETR4 a BRL 27,00; venda de call PETRC28 por BRL 2,00. Se vc não for exercido o teu custo das PETR4 será de BRL 25,00 para o carregamento para o próximo vencimento das opções. Digamos que em março, a PETR4 esteja cotada a BRL 30,00, vc vende uma call de PETRE32 por BRL 1,80. não é exercido, tua posição fica no custo de BRL23,20. Vale dizer que teu lucro embutido estará na diferença de BRL 23,20 contra o preço de mercado de BRL 30,00. Para 1.000 ações é um lucro de 29,31% se vc realizar a venda no mercado a vista a BRL 30,00.

  2. Fabiano says:

    Ricardo, Bom dia!
    Somente conheci vossos posts agora, na busca por melhor entender a dinâmica do mercado de opções e hedge, principalmente, as especificidades de calls e puts.
    Nossa empresa atua na produção de café em grãos e gostaríamos de iniciar algumas operações no intuito de proteger nossos estoques contra baixas ou mesmo obter ganhos finaceiros. Entendo que possamos atuar na compra e venda de contratos futuros para fazer o resgate das posições e ganhar a diferença entre elas ou, em último caso, como possuímos lastro físico dos contratos, honrar as posições com a entrega do produto.
    Se puder, comente um pouco sobre esta dinâmica. Atualmente vendemos os produtos com preços negociados contra ICE Futures (no caso das exportações) e BM&F (Mercado interno).
    Grato,
    Fabiano

    • tradingcafe says:

      Caro Fabiano, bom dia. O mercado de derivativos de café é muito desenvolvido no Brasil e no exterior, e é, sem dúvida uma ótima inciativa da parte de vocês participarem, dado que estão diretamente envolvidos na produção. É necessário um aprofundamento do conhecimento das alternativas e dinâmicas deste mercado. Como hedgers, vocês terão a possibilidade de maximizar retornos ao reduzir a volatilidade com o uso dos derivativos. Sejam os futuros, que são mais líquidos ou as opções. Para que possamos definir as estratégias e explorar com maior profundidade as alternativas específicas aplicáveis para vocês precisamos conversar diretamente. Quando quiser, me dá um toque e marcamos para conversar. abs

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