Correlação entre preços de commodities e a moeda de cotação

Neste ano de 2011, os mercados apresentaram altas significativas em algumas commodities que são normalmente cotadas em dólares. Com excessão do Ouro, que apresentou uma queda nos preços da onça-troy, as outras commodities agrícolas, metálicas, financeiras (moedas) e o petróleo, todas apresentam altas em suas cotações. O Ouro, é utilizado como “safe-haven”, uma espécie de porto seguro de valor intrínseco que protege o valor do capital quando existe temor de inflação ou medo generalizado quando há instabilidade política ou financeira nos mercados. O Ouro cedeu neste início de ano cerca de 6%, denotando que o medo retraiu e os investidores saíram das posições para comprar outros ativos (um bom sinal). Porém, não compraram ativos em dólares. As outras commodities apresentaram altas, parte pela desvalorização da moeda americana e parte por razões próprias de oferta e demanda. Desde o início do ano, o Euro se valorizou cerca de 7%, o Petróleo Brent Crude aumentou cerca de 12%, a Libra Esterlina aumentou cerca de 6%, todos contra o dólar. Na cotação do Petróleo, o evento do Egito é responsável parcialmente pela alta. Na contra-mão e guiado pelas peripécias do Banco Central e do Governo Brasileiro, o Real perdeu e se depreciou cerca de 0,85% contra o dólar. Como resultado, temos a cotação do Real contra o Euro de volta ao patamar de 2,30-2,31. Excelente, tendo em vista que exportamos muito mais para a Europa do que para os Estados Unidos. Este evento já pode ser notado nos resultados expressivos das exportações brasileiras para a Europa no mês de janeiro. Portanto, a correlação entre a moeda de cotação e o valor das commodities é direta. O Dólar fraco faz as cotações aumentarem para recompor os preços relativos. Um evento não deve ser observado isoladamente. No que tange investimentos, o risco-retorno é observado e em relação às moedas, o estado da economia e a relação de taxas de juros tem um peso considerável nas decisões. As taxas de juros de curto prazo nos Estados Unidos aliado à fragilidade da economia, a quantidade de dívida emitida (O Tesouro Americano deseja captar USD 72 bi na próxima semana com emissões de bônus de longo prazo). As taxas de juros para prazos até um ano estão em 0,20% ao ano, contra uma taxa de 1% ao ano para o Euro. Basicamente, o mesmo período traz um retorno de 5 vezes mais em Euros do que em Dólares. Em reais? Bom, tendo em vista que as taxas de juros aqui são de quase 13% ao ano, sem impostos para estrangeiros, mas com um IOF de 6% na renda fixa, pagamos cerca de 6% ao ano, limpos. Pagamos cerca de 30 vezes o retorno em dólares para o mesmo período. Ainda assim, o real se desvalorizou neste ano… Está custando caro para o Brasil esta política de proteção do dólar.

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