Investimentos pessoais… Tesouro direto, títulos públicos…

Não é só o ouro que identifica um aumento na percepção de risco, no temor de variabilidades de retornos nos investimentos. Como já sabemos, o ouro identifica a estabilidade e a falta desta nos mercados. Quando a percepção de risco aumenta, as cotações do metal precioso dispara. Os riscos de investimentos vão desde o risco de crédito, da perda da totalidade do investimento numa falência, até a variabilidade de retornos negativos ou inferiores à media esperada ou projetada para tipos de ativos. Desta forma, diante de uma possibilidade de um aumento da ocorrência de um risco sistêmico, como vemos neste momento, os ativos vão apresentando um comportamento em concordância com a expectativa. Estamos vendo já há algum tempo o ouro disparar em altas históricas. A bolsa, representando grande incerteza de retornos, caiu de pouco mais de 70 mil pontos para os atuais 55, 56 mil pontos. Mas o ouro, no Brasil, não é um instrumento de investimento habitual do brasileiro como o é no exterior. Assim sendo, estamos vendo uma migração de bolsa de valores para títulos de renda fixa. A poupança traz um retorno de mais ou menos 7%, desinteressante quando as taxas de mercado estão acima de 12%, mesmo tendo a diferença de não pagar IR, o investimento em outros títulos é mais rentável que a poupança ainda. Porém, taxas de juros em queda nos mercados não identificam somente percepção de que a inflação está caindo, denota, sobretudo, uma busca de segurança de retorno (risco de crédito zero nos títulos públicos federais brasileiros) com um retorno que estava até recentemente próximo de 13%. A demanda alta trouxe estes mesmos títulos do tesouro nacional para perto de 11,5% ao ano. Isto identifica também uma busca por segurança, com um temor de que algo grande e ruim está para acontecer, risco sistêmico. Quem comprou tesouro direto nos últimos meses está obtendo um retorno fantástico, com segurança e duplo ganho, pelo investimento em taxas superiores a 12,5% e o ganho de capital na precificação causado pela demanda aumentada, que trouxe os retornos para perto de 11,5% ao ano. E agora, o que fazer, se as taxas já caíram? Investir ainda em títulos de renda fixa, fundos DI com taxa de adminstração máxima de 0,5% ao ano, CDB’s de bancos com retornos superiores a 98% do CDI e tesouro direto indexado à inflação. Todos estas sugestões valem até a taxa do CDI, do tesouro nacional, chegarem perto de 10,20%. Se as taxas continuarem caindo e atingirem este nível, a poupança passa a ser a melhor alternativa de novo. Portanto fiquem atentos, porque é isso que o governo vai tentar fazer, abaixar os juros para forçar as pessoas a retornarem para a poupança, para fomentar o mercado imobiliário… Como em 2008/09. Porque neste ano, a saída líquida da poupança está deixando os bancos sem caixa para o mercado de financiamento imobiliário. Renda fixa, longe da poupança, longe da bolsa.

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8 Responses to Investimentos pessoais… Tesouro direto, títulos públicos…

  1. Marcos says:

    Ricardo,

    Um CDB que da 98% do CDI, sendo o Selic de 8,40%, não traria um retorno de 7% líquidos?

    Não seria o mesmo deixar na poupança ou CDB?

    Abraços,
    Marcos

    • tradingcafe says:

      Oi Marcos, o CDI, de sexta-feira está em 11,88% anualizados, sendo 98% igual a um retorno de 11,64%. Onde vc viu 8,40%? abs

      • Marcos says:

        Oi, Ricardo,

        Não entendi porque a poupança é mais atrativa a partir de 10,20%.

        Se eu conseguir um CDB de 2 anos de 98% do CDI quando a SELIC estiver a 8,4% aa, receberei uma taxa líquida de 7%aa.

        Não seria uma taxa SELIC abaixo de 8,4% que favoreceria a poupança?

        Gostaria porque você considerou que 10,20% favorece a poupança.

        Grato,
        Marcos

      • tradingcafe says:

        Oi Marcos, eu havia entendido que você disse que o CDI estava já a 8,40%… Os 10,20% darão um retorno superior ao da poupança, porém menos líquido que a poupança. Para ter acesso ao dinheiro quando vc precisa, a qualquer momento. O CDB e o Tesouro direto não te dão esta liberdade sem penalização. Por isso, esse lmite é o limite de ganho que compensaria em parte esta diferença de liquidez entre uma aplicação e outra. abs

  2. H.F. says:

    Ricardo, para entrar agora no Tesouro Direto, qual seria o tipo de título ideal?

    • tradingcafe says:

      Oi Hermes, os indexados à Selic ou ao IPCA ainda. Eu ainda vejo a inflação forte, desta forma, buscar os títulos até 2014, bem perto. abs

      • Sandro Salada says:

        Ricardo,

        Vc acha que é arriscado comprar agora uma quantidade grande de NTN-B com vencimento longo (2035 ou 2045) ? Estava pensando em comprar para garantir pelo menos uma taxa de 5% acima da inflação por longos anos. Muitíssimo obrigado pelos posts!

      • tradingcafe says:

        Oi Sandro, bom dia. A curva de juros brasileira é invertida, porque não temos o hábito de visualizar longo prazo e porque os fundos de pensão compram estes títulos sempre, reduzindo a liquidez e as taxas dos juros dos mesmos. 2035 está muito longe, muita coisa acontece em 25 anos… Você poderá obter uma rentabilidade similar com prazos mais curtos e poder absorver mudanças tendo o dinheiro no curto prazo, os títulos são menos voláteis neste período. Ainda, estamos no meio do olho do furacão… Devemos uscar prazos curtos e absorver os ajustes na curva qdo as coisas se estailizarem, aí sim, podemos alongar o inevstimento. abs

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