Bolha imobiliária, queda na SELIC, poupança atrativa, mais crédito, irá funcionar? pergunta de um amigo…

Existe uma elasticidade natural no mercado. A oferta de crédito tem fundamento em momentos específicos, como o que vimos em 2008 e 2009, quando a SELIC caiu para 8,75% e o mercado foi inundado de crédito. Naquela ocasião existia sim uma demanda reprimida para compradores de imóveis (para morar nele). Esta demanda reprimida com abundância de oferta de crédito foi rapidamente absorvida e em seguida, foi aproveitada por pessoas que se autodenominan de investidores. O mercado subiu para patamares não sustentáveis, que uma nova onda de recursos disponibilizados para financiar imóveis não terá jamais o mesmo impacto. é como tomar sempre o mesmo remédio, independente dos sintomas da doença, ainda que parecidos. Ao mesmo tempo, pudemos observar a performance pífia da bolsa de valores, indicando que muitos investidores de bolsa migraram para os imóveis. Uma clara indicação de bolha. As incorporadoras tiveram resultados péssimos e suas ações acumulam perdas substanciais. Quem está ganhando com isso então? O governo, com seus impostos nas transações imobiliárias e no aumento do IPTU, com os valores venais dos imóveis alterados para cima com força. Como numa ciranda, num sistema de pirâmide, os primeiros ganharam dinheiro. A alta nos preços não foi embasada em aumento real dos ganhos da população como um todo e isso fica demonstrado na demora em estourar a bolha. Basicamente, o que quero dizer é que não foi o povo que causou este aumento desenfreado nos preços, porque esta riqueza aparente na alta do preço do seu imóvel, não se transforma em riqueza real se você mora nele, pois ao vender um apartamento que vale hj R$ 1 milhão, o que você compra em troca? Outro de R$ 1,1 milhão… e paga mais IPTU, mais ITBI, mais corretagem e possivelmente IR (se vc comprar outro em prazo maior que 6 meses). As pessoas da classe média, que compram com esforço o imóvel para morar e financiado, tem lastro financeiro (folga de caixa) para esperar muito tempo para revender seu imóvel? Em geral, não. Se precisa vender, você, eu, abaixamos o preço. Assim, a conta fecharia melhor se soubéssemos que o mercado vai cair, porque ficaria claro nossa nova riqueza, venderíamos nosso imóvel e moraríamos de aluguel até os preços voltarem para a realidade e podermos comprar outro imóvel, igual ou melhor que o primeiro, mais barato… é seguro fazer isso? Matematicamente é viável, mas ter coragem de fazer é outra coisa. Qual a chance do mercado não cair e ficarmos com o dinheiro desvalorizado para comprar outro imóvel? É uma decisão difícil e com alto grau de incerteza, ainda que na avaliação de boa parte dos brasileiros o mercado está super alto e deveria cair. Mas sabemos isso com certeza? Não. São opiniões que temos e percepções individuais que sentimos. Mas, no fim das contas, quem está segurando o mercado nos níveis atuais e impedindo que a bolha estoure?

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8 Responses to Bolha imobiliária, queda na SELIC, poupança atrativa, mais crédito, irá funcionar? pergunta de um amigo…

  1. Ricardo

    Muito obrigado pelos esclarecimentos no post anterior e fico feliz que tal resposta tenha virado tópico.

    Pois bem, conforme o titulo do post: “Bolha imobiliária, queda na SELIC, poupança atrativa, mais crédito, irá funcionar?” – a grande questão, realmente é: Irá funcionar?

    Percebemos claramente que “funcionar” é diferente de “resolver o problema”. Nesse caso, em específico, notamos que “funcionar” é dar um folego extra ao mercado e adiar o crach, pois trata-se de uma medida que estimula quem ainda não participou da farra de fazê-lo ao mesmo tempo que não há medidas efetivas que propiciem a poupança, o que realmente seria o colchão para a produção da riqueza e prosperidade social.

    Portanto, vemos claramente uma equipe politica e econômica totalmente perdidas. O Planalto determina qual a política monetária a ser seguida a fim de atingir “com mais rapidez” seus objetivos políticos, enquanto o papel do BC é não deixar o trem sair do trilhos no percurso.

    Infelizmente, acredito que o ponto de ruptura, de onde ainda havia retorno ou medida efetiva a ser tomada para conter o crash, foi ultrapassado há algum tempo. Agora, resta-nos rezar e que Deus tenha piedade do Brasil.

    Novamente gostaria de parabenizá-lo em manter este espaço tão instrutivo e democrático, pois tornou-se leitura diária obrigatória para mim.

    Grande abraço.

    • tradingcafe says:

      Oi Carlos, muito obrigado. Eu acredito que não irá funcionar. Pela simples razão que dinheiro emprestado não é nosso… Temos que repagar e no momento em que compramos com um empréstimo, é tudo lindo, maravilhoso, um sonho… depois da quinta parcela a coisa pega… e ainda faltam 15 anos para terminar. De forma direta, não acredito que se possa crescer indefinidamente com dinheiro emprestado. tem que haver ganhos reais de renda. Abs

  2. Renato Messa says:

    É realmente mais lenha nesta fogueira…..
    São João esta chegando e o arraial esta completo, resta somente esperar.

  3. vhkramer says:

    Nesse cenário todo, professor Ricardo, onde investir pensando em um horizonte de um a dois anos?

    Atenciosamente

    Vandré

    • tradingcafe says:

      Boa tarde, caro amigo Vandré. neste momento, com a atual conjuntura e ainda, no mês de março, que é um mês de “window dressing” no mercado internacional, eu diria que o melhor investimento é renda fixa de curto prazo, poupança, cdb’s, fundo DI e tesouro direto. Em abril, revisaremos a conuntura para podermos avaliar se é hora de entrar na bolsa ou não, por enquanto, não é hora ainda. Abs

  4. Cassio Lopez says:

    Ricardo, sem duvidas que no meio desse oceano de informacoes “duvidosas”, seu blog eh um porto seguro, onde acompanho todos os dias.

    quando nos perguntamos, Quem está ganhando com isso então?, acredito que parte desta estrategia tambem seja a criacao de empregos, e os empregos gerados na construcao civil teve forte suporte na pseudo migracao da classe D para C (tsunami de consumo).
    Obiviamente mais uma estrategia imediatista que os efeitos colaterais serao muito maiores que essa “cura atificial momentanea” do problema da destribuicao da renda.

  5. Cassio Lopez says:

    sorry, distribuicao*

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