Brasil, o país onde todo mundo quer prestar concurso público… Por que será?

Parece brincadeira, mas os melhores empregos do país, mais bem remunerados e com estabilidade, estão no funcionalismo público. O Brasil é o único país do mundo, com economias supostamente robustas, que as pessoas disputam a unhas e dentes o direito de trabalhar para o governo. Vivemos no país do concurso público, onde existem cursinhos, técnicas de como passar no exame, quantos exames você deve fzaer antes de conquistar seu “lugar ao sol” (e não fazer mais nada depois disso…) e estando dentro, apenas se preocupar com uma coisa: se preparar para outro concurso público… O objetivo em si é apenas e unicamanente passar no concurso, para se preparar para passar em outro que pague mais. Fazer alguma coisa da vida? Criar alguma coisa de útil? Melhorar o serviço público para a população como um todo? Não me lembro de ter visto ou ouvido nada similar. Em outros países isto nem sequer é discutido, porque todos sabem que a função do governo é igual ao do síndico do prédio, ninguém quer, paga mal e dá um trabalhão! Menos no Brasil, o país onde tudo é invertido e distorcido. Se a economia brasileira estivesse forte e sólida como anunciam, isto jamais seria verdade, porque todo mundo iria querer estar na iniciativa privada. Vamos lá, se alguém souber de algum concurso público aí, me dá um toque?

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37 Responses to Brasil, o país onde todo mundo quer prestar concurso público… Por que será?

  1. Denis Herbelha says:

    Ricardo,
    Acho que quem se identifica com a inciativa privada, não suportaria trabalhar no serviço público.
    Mas….. Veja as oportunidades: http://jcconcursos.uol.com.br/Concursos/Concursos-Previstos
    Abs

    • tradingcafe says:

      Valeu Denis, obrigado. Com certeza. Eu sou professor aqui no Brasil e em outros países. Dou aula para Universidades na Inglaterra, Bélgica, Canadá e Estados Unidos, nenhum aluno dos outros países sequer cogita trabalhar para o governo, eles se preparam para disputar as melhores vagas no setor privado! Aqui, alunos que se destacam, que poderiam contribuir em muito para a melhoria e crescimento real do país, se alinham para prestar concurso público e encostar num pote de mel, sem criar nada, sem contribuir para nada de melhorias. Isso indica que nosso país está com valores invertidos. Trabalhar para o governo é uma alternativa boa sim, mas para quem tem vocação para isso. Não é o que acontece no Brasil. Valeu Denis, obrigado! abs

      • Guilherme says:

        Infelizmente não posso concordar com você… Pote de mel?? queria dizer a você que até hoje, em meus vários anos como funcionário público nunca encontrei o tal pote!! Provavelmente os PRF’s na fronteira do Brasil também não…Aliás o Brasil não se enquadra no seleto grupo de nações de primeiro mundo, ou você pensa que ao criar uma forma diferente de recrutamento ou permanência no serviço público não haveriam enormes barbaridades?? O maldito clientelismo e nepotismo estão aí para provar, e não criar algo de útil?? Desculpe, mas passar 35 anos sentado atrás de um guichê de um banco de investimento, ou do escritório de uma grande holding, não pode ser considerado exatamente como criar algo, não é verdade?? Sei que não concordarás comigo, mas de qualquer forma obrigado pelo espaço.

        Abs

  2. Marina says:

    A iniciativa privada no Brasil paga mal e exige muito. Está o meu marido que é engenheiro de automação e controle (profissão bombante, dizem os jornais) fazendo mais das suas habituais horas extras hoje, SEM RECEBER NADA POR ELAS (o chefe disse que n pode lançar, mas deve fazer hora extra). Vc acha que as empresas na conjuntura atual não tem mesmo como oferecer melhores condições de trabalho? É uma questão econômica? N há tb um problema cultural?

    • tradingcafe says:

      Bom dia Marina, é verdade. Como as empresas tem que gerar lucro, o máximo possível, tem que pagar altos encargos sociais sobre os salários pagos aos funcionários e sobretudo, tem que viver com a realidade econômico, idas e vindas de políticas monetárias, IOF’, e outras tantas coisas, sim, vira uma questão econômica e cultural. No Brasil, quando as empresas dão lucro somos “empregados” e quando dá prejuízo somos tratados como sócios… E o governo não “precisa” dar lucro… abs Marina

  3. Diogo says:

    Pois é…

    Este vai ser o eterno país dos macunaímas, jecas tatu e zé cariocas. Terra de gente folgada, “esperta”, sem ambição e sem força de vontade/caráter p/ construir um país melhor…

    Eu sinceramente já perdi a esperança neste país e na sua população de funcionários públicos.

    O pior de tudo é que a máquina estatal não está apenas crescentemente inchada, mas está inchada de gente incompetente ou corrupta.

    Mas tudo tem seu preço. Vide Espanha e Grécia. Quando começarem a demitir funcionários públicos porque não haverá mais dinheiro p/ sustentar essa massa toda, não adianta chorar. Quando reduzirem os planos de aposentadoria, não adiantará fazer protestinhos na rua. Quando a máquina pública quebrar, não adianta ameaçar se jogar dos prédios das podres repartições. O dia em que o dinheiro rarear, vcs acham que os nobres políticos repartirão o pobre bolo restante com os demais “agentes públicos”? Nunca, pq querendo ou não, sendo funcionário público ou não, o povo sempre será o que sempre foi: massa de manobra.

    Quem quiser fugir da massa de manobra, não deveria perder tanto tempo estudando p/ os concursos. “Think out of the box”! mas isso é complexo demais p/ a pátria de funcionários públicos…

    • mauricio says:

      “Vide Espanha e Grécia. Quando começarem a demitir funcionários públicos porque não haverá mais dinheiro p/ sustentar essa massa toda, não adianta chorar”

      mas aí, meu amigo, onde é que estará a “estabilidade de emprego” e todo o tempo perdido que NÃO foi utilizado para a qualificação, uma vez que são concursados e trabalham pro governo?

      mesmo que não sejam demitidos, no caso dos gregos, terão que conviver/sobreviver com um salário que não será nunca reajustado, acabando por fim um salário de miséria e será pegar ou lagar a mamata

    • Jeff says:

      O que você sugere?

  4. Charles says:

    Ricardo

    No texto, a conotação pejorativa fica a cargo do concursando, mas a historia é bem outra.

    Quem passa em concurso público, não pode ser, nem de longe, considerado um vagabundo, pois estuda muito e agrega niveis de conhecimento muito altos nas mais variadas áreas economicas.

    Mas o que os concursandos buscam então, será a vida mansa? Como concurseiro que fui afirmo que não. Buscamos estabilidade num país em que até o passado é incerto.

    Tive micro empresa por 12 anos e quase passei fome. Fui bancario e demitido por politicas internas numa eventual queda do faturamente por causa de politicas governamentais. Parti para os concursos publicos e hoje tenho ao menos estabilidade.

    Estranhaa-me o fato do governo propagandear que nunca houve tanto aumento de renda no país ao mesmo tempo em que o povo entra na farra do crédito farto comprando carros com preços 2x maiores que em outros países, comprando imóveis com preços bolhudos e continuarem reelegendo o governo esquerdista. Mas quando se fala em funcionário público todos se revoltam e dizem que são marajás. Como assim marajás? Eu nao tenho NENHUM aumento desde 2006 enquanto todos os anos há acordos coletivos de trabalho para todas as categorias de trabalhadores no país.

    Essa estoria de que funcionario publico ganha um salario de marajá é pura falacia. Quem tem salarios altos são os detentores de cargos eletivos e aqueles indicados para ocupar cargo comissionados que nao precisam de concurso publico, apenas ter um padrinho. Os concursados são os menos remunerados e ainda tem que cumprir carga horaria, o que os acima citados nem sabem o que é.

    Bom, acho que minha redação nao vai mudar a imagem que os funcionarios publicos adquiriram no Brasil por haver uma grande parte composta por vagabundos. Mas essa nova geração está chegando para tentar melhorar o atendimento à população e tem competencia pra isso. Mas o grande problema é a burocracia governamental que emperra o processo de gestão e a ideologia politica que está sendo enraizada nos processos administrativos.

    Tenha em mente que o grande causador dessas discrepâncias que vemos no Brasil é o Governo Federal.

    • tradingcafe says:

      Bom dia Charles. Sem dúvida, concordo com você. Em nenhum momento eu acredito que os funcionários públicos, os que passam em concurso são vagabundos, muito ao contrário. Nós, seres humanos, tentamos buscar uma situação de estabilidade financeira, almejando isso, não por sermos acomodados, mas porque é o ideal termos esta estabilidade e buscarmos nos propiciar uma vida com um pouco mais de conforto. O meu ponto é o de apontar que esta é a situação do nosso país, que esta situação de estabilidade nos é fornecida por vagas no funcionalismo público, fazendo com que as pessoas que são bons estudantes, bons profissionais, consigam chegar perto de obter esta estabilidade no funcionalismo público ao invés de utilizarem seu potencial na iniciativa privada, como em outros países. Eu elogio as pessoas que estudam e passam nos concursos pois sei que é complexo e não é fácil, mas fico triste por esta ser a realidade do Brasil. abs Charles

    • Diogo says:

      Charles,

      Realmente não se pode generalizar e chamar todos os “concurseiros” de vagabundos. Porém, o que acontece é que uma boa parte estuda muito, mas estuda muito com o objetivo de se tornar um “vagabundo” (no sentido de querer trabalhar pouco e de não ter interesse algum na melhora da gestão dos serviços públicos).

      Desculpe, mas eu duvido que essa nova geração vai fazer alguma diferença. Como já disse, essa geração não tem poder para deixar de ser uma simples massa de manobra. Não serão eles que comandarão o país. Sabemos que manda e mandará neste Brasil. E esses serão eternamente corruptos e incompetentes.

  5. Renata Mizies says:

    Olá Ricardo,

    É fato, triste, preocupante e lamentável…
    Fato: a disputa por uma vaga no serviço
    público só aumenta, principalmente entre os jovens que já não querem cursar faculdade.
    Triste: a única preocupação da maioria dos candidatos é ‘ter hora pra entrar e sair, não ser cobrado por qualidade ou metas e não ser mandado embora’, nas suas próprias palavras.
    Preocupante: alguém ouviu os candidatos falarem em melhorias no serviço público? Respeito ao cidadão? Fazer a diferença? Padrão de qualidade?
    Lamentável: constatar que essa mentalidade
    não vai mudar, pelo menos tão cedo…e ainda
    que o cenário da economia estivesse realmente
    forte, como o Governo quer fazer crer, para se
    eximir de suas responsabilidades nas reformas
    necessárias ao real crescimento do país.

    Abraços

    Renata

  6. mauricio says:

    engraçado, estudam tanto pra depois passar o resto da vida simplesmente batendo carimbo o dia todo numa maquina com tantas engrenagens que se você faltasse ao trabalho ninguém sentiria a menor falta, deve ser muito gratificante executar um serviço em que você não faz a menor diferença

  7. AMDKC says:

    Ricardo há tempos leio seu blog e o parabenizo pelo seu trabalho.
    Com relação ao assunto, digo que tenho uma amiga Argentina que me relatou que nem mesmo naquele país há uma ação e relação tão promíscua com o bem público, que em seu país os cargos de nível médio eram utilizados como meio para capacitação de pessoas de baixa renda e que os concursos possuíam mandatos que variavam de 1 a 4 anos dependendo do cargo, e que ao final todos deveriam prestar novo concurso, porém a demanda era baixa pois os salários ao contrário do nosso país eram sensivelmente menores que iniciativa privada, e benefícios como estabilidade, entre outras mamatas que temos, aqui inexistiam, o processo administrativo não era do tipo corporativista que hoje domina o país, e por íncrivel que possa parecer ela me relatou que de fato serviços públicos como saúde e educação funcionavam. Ricardo acho que o pior dessa indústria seja a socialização discarada de um custo que hoje é subsidiado com um misto de Juros mais altos do mundo vide nossa Selic, com arrecadação tributária imoral sendo que tudo isso está sendo absorvido pela massa mais pobre e necessitada de tais serviços públicos essenciais. O brasileiro mais do que qualquer povo do mundo tem horror a meritocracia, num país onde a educação é um luxo, acham que passar num concurso é algo méritocrático, todos reclamam que não possuem retorno de seus impostos, mas ao ingressarem no funcionalismo, se tornam parasitas, e infelizmente não é exceção por que se fosse, os serviços públicos funcionariam com um mínimo de dignidade. O pior que todo os esforço realizado para que tal paradigma fosse reduzido ou minimizado foi jogado pelo ralo, haja vista os últimos 9 anos de governo do PT do qual eu o elegi no primeiro mandato, com a esperança de que mudaríamos em direção a um caminho melhor, porém desde o ínicio foi puro retrocesso, pode se dizer que o aparelhamento estatizante nunca foi tal como hoje nem mesmo nos períodos de default do Governo Sarney ou do Collor, criamos literalmente uma côrte ou casta que vive com benefícios que não possuíriam em nenhum mas em nenhum país do mundo, e te falo um ditado que um a vez ouvi de um professor meu de economia “Quebramos o Estado mas não demitimos funcionários públicos” hoje mais do que nunca percebo e vivencio isto, acho que o processo de ruptura ecônomico brasileiro está se dando de forma gradual, aos poucos estamos perdendo os fundamentos básicos e acredito em 2 hipóteses para um futuro não tão distante, ou entraremos num espiral inflacionária, ou viveremos uma recessão dantesca que colocará os preços, o dinheiro onde ele realmente deveria estar.

    Um Abraço.

    Att AMDKC

  8. Marina says:

    Vcs acima generalizaram e exageraram muito. É normal a pessoa querer o emprego que paga melhor e oferece melhores condições. Ninguém é obrigado a fazer caridade na hora de escolher o emprego, muito pelo contrário. Agora isso não significa que estejam todos despreocupados em fazer um bom trabalho uma vez aprovados no concurso. Ou que não haja serviço em nenhuma instituição. Sou servidora: olha o despeito!

    • Diogo says:

      Li o seu comentário no outro post onde você afirmava não acreditar em vocação p/ o serviço público.

      Você realmente acredita nisso?

      Se tornou uma servidora simplesmente pelo salário?

      É exatamente a pintura do servidor retratado em todos os textos que criticam a ineficiência e o inchaço da da máquina pública.

      Se nem o servidor se lembra da vocação que deveria ter, como não generalizar? Não há despeito…

  9. amdkc says:

    Sabe O q acho pior que profissões como médicos em geral, professores e policiais que deveriam ser valorizadas nao o sao, só os tecnoburocratas gozam de tamanhos privilégios. Gostaria de saber porque um juiz, procurador, oficial de juStica ( carteiro de luxo ) auditores da receita custam nada menos do que 20 x mais que os acima essenciais, que valores sao esses como construiremos uma nação desta forma.

    • Charles says:

      Os auditores da recita federal têm prioridade de verbas e condições de trabalho garantidas por artigo constitucional. Os promotores, juizes, procuradores, oficiais de justiça etc… também são peça chave na garantia do funcionamento da maquina publica e repressão ao cidadão.

      Já os medicos, professores etc… Esses são peças para garantir a assistência do estado aos serviços básicos a que o cidadão teria direito pelos seus impostos pagos. Portanto, fica sempre em segundo plano, o serviço não funciona por não ser garantida condições minimas de trabalho e remuneração a esses profissionais.

      Percebem com a máquina publica é feita para que ela propria continue girando em detrimento do bem estar de quem a financia?

      Como eu mencionei lá em cima, o grande culpado pelo pessimo atendimento nos serviços publicos, é, na maioria das vezes, o proprio governo que nao desburocratiza a maquina, engessa os procedimentos administrativos.

    • LB says:

      Colega,
      A profissão de oficial de justiça passa muito longe da de carteiro.
      Sugiro tentar conhecer um pouco mais o trabalho. Busque algum amigo ou colega e acompanhe a rotina desse profissional, que é um dos que mais trabalha no Poder Judiciário (ao contrário da crença popular).

  10. Roberto says:

    Bom dia amigos,

    Nos ultimos dias falamos muito sobre Bolha Imobiliaria e Bolha de Credito etc.. , mais no Brasil vivemos uma bolha muito mais seria uma Bolha da injustiça e desigualdade social, acredito friamente que os jovens graduados quando derem conta que não teremos emprego de qualidade e tampouco vagas suficientes no governo tera que ir para as ruas reinvindicar a força o que nos tem sido roubado.

  11. Eu acredito que vivemos entre 3 dúvidas: fazer um concurso e viver engessado( conheço alguns funcionários públicos que relatam que ou ele entra na dança de malandragem ou fica congelado, congelado sem fazer nada…), buscar uma carreira em empresa privada e não saber quando vamos ser demitidos e na viver na eterna concorrência e exigencia de formação, idiomas, ou ser empresário e viver correndo para pagar contas, com risco de levar uma causa trabalhista e o pior de isso tudo é que em todos os casos ainda temos que pagar por tudo que precisamos com qualidade (saúde, educação, transporte,etc..) e ainda muito disso tudo vem longa data.

  12. Onde está a tão alardeada “cultura empreendedora” do Brasil? A realidade é que assim como nos demais países, temos 5% de empreendedores (aqueles que não aceitam a zona de conforto) e o restante (outros 95%) apenas querem suas vidas tão calmas e pacatas como possam mantê-las.

    Ao meu ver é apenas uma questão cultural. Ao passo em que nos outros países (EUA p.ex.) é estimulada uma cultura da competição, aqui no Brasil temos a cultura paternalista. Em grande parte da Europa e EUA, o que vemos são jovens de 15 anos já desenvolvendo sua habilidade de culto ao trabalho, enquanto por aqui “jovens” de 35 anos ou mais, ainda preferem viver com os pais, enquanto…. estudam para concurso! É simples assim.

  13. Mauro says:

    É disso que o povo gosta!

  14. TR says:

    Essa discussão está cheia de preconceito e de ódio cegos. NÃO é verdade que brasileiros são “macunaímas, jecas tatu e zé cariocas”. NÃO é verdade que funcionários públicos são “parasitas” de um “pote de mel”. O que é isso, gente? Ricardo, olha os termos em que você colocou essa discussão? Pelo que entendi: muita gente fazendo concurso = ninguém quer iniciativa privada = país de vagabundos. Que raciocínio é esse?

    Esse tipo de coisa se discute com dados. Um deles está no Jornal Valor Econômico: https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/2/2/pagamento-a-servidores-cai-frente-ao-pib.

    Para os que não sabem ler, ou tem preguiça de fazer isso, os gastos com pessoal caíram em 2011. Foram de 4,13% em 2011. Aos incautos, isso nem de longe se compara com a Grécia, onde “12% do PIB foi gasto com o funcionalismo público em 2009” (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1229). Vale dizer que na Grécia até mesmo padres eram funcionários públicos e muito bem remunerados (http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/2/16/armadores-politicos-e-padres-mantem-privilegio). Hão de dizer que o PIB tem crescido e blá-blá-blá. Não se deixe enganar: o PIB de 2011 foi uma vergonha. Se fosse digno de algo, a queda teria sido ainda mais acentuada.

    A maioria faz de conta que não vê as mudanças acontecendo. A Câmara dos Deputados aprovou a criação das FUNPRESP’s, as fundações de previdência complementar (http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/410189-CAMARA-APROVA-PREVIDENCIA-COMPLEMENTAR-DOS-SERVIDORES-FEDERAIS,-COM-TRES-FUNDOS.html). Daqui em diante se põe fim àquilo, que concordo, era uma regalia: a aposentadoria com valor integral. Servidor da união vai se aposentar pelo piso do regime geral. No futuro isso garante não só a higidez do sistema, mas também a existência de gigantescos fundos de previdência que vão investir no Brasil.

    Ao invés de entender esse contexto, muita gente se propõe a simplesmente criticar/reclamar/xingar. Sou morador de Brasília e sou funcionário público. Ao mesmo tempo vítima de um duplo preconceito. Depois de um tempo, cansa ouvir/ler esse mesmo papo fiado.

    Isso é um problema de brasileiro. Nós não somos “macunaímas, jecas tatu e zé cariocas”, somos sim maníacos depressivos. Vou citar dois exemplos: a nossa imprensa fica exaltando os feitos japoneses diante da tragédia da tsunami e comparam: “se fosse no Brasil aquela rodovia levaria anos para ser refeita”. Talvez, pode ser. O que os brasileiros esquecem é que a população de uma comunidade inteira fugindo do colapso da usina nuclear seguiram na direção onde estava a nuvem radioativa por pura FALTA DE INFORMAÇÃO, já que a central de emergência japonesa foi dividida entre chefes (num andar) e funcionários (num subsolo). Foi o relatório japonês que mostrou isso. As pessoas se esquecem que foi na Itália onde um Barco afundou porque alguém queria se mostrar para uma população e porque um comandante fazia sua refeição acompanhado por uma loira estonteante.

    Repito, esse pensamento maniqueísta é resultado de um pensamento mesquinha do brasileiro.

    Abraços,
    TR

    PS: Ricardo, falta a essa discussão um necessário contraponto, que ofereço aqui. Se possível, sugiro que isso seja postado como ‘direito de resposta’ de um guest post.

    • Diogo says:

      “Para os que não sabem ler, ou tem preguiça de fazer isso, os gastos com pessoal caíram em 2011. ”
      Então me responda: com esse PIBinho, o gasto deveria ter aumentado? Você realmente acredita que os gastos diminuiram por boa vontade e eficiência do congresso, senado e afins ou porque isso seria impossível no momento?

      “muita gente fazendo concurso = ninguém quer iniciativa privada = país de vagabundos”
      Mas é praticamente isso mesmo. A questão central é que grande parte das pessoas que estão prestando concursos não tem o menor interesse em melhorar a eficiência da máquina pública ou oferecer um serviço melhor para o população deste país. Vide a servidora Marina que diz não acreditar em vocação para servidor.

      “Aos incautos, isso nem de longe se compara com a Grécia, onde “12% do PIB foi gasto com o funcionalismo público em 2009″ ”
      A Grécia não virou a “Grécia” de uma hora p/ a outra. Você realmente acha que, com a “eficiência” e “honestidade” que permeiam o serviço público (fora esse inchaço absurdo), é nula a possibilidade de nos encontrarmos em uma situação semelhante a da Grécia e da Espanha?

      “Vale dizer que na Grécia até mesmo padres eram funcionários públicos e muito bem remunerados ”
      Acredite: no Brasil (inclusive em Brasília), muitos padres, pastores visionários, motoristas, empregadas domésticas, etc. podem não ser estatuários, mas são “funcionários públicos” sim.

      “A maioria faz de conta que não vê as mudanças acontecendo. A Câmara dos Deputados aprovou a criação das FUNPRESP’s, as fundações de previdência complementar ”
      Exatamente: você não acha que isso só aconteceu porque a possibilidade de nos depararmos com um rombo “grego” ou “espanhol” existe? Novamente: você afirmaria que essas mudanças acontecem por boa vontade e eficiência de deputados, senadores e ministros?

      “os gastos com pessoal caíram em 2011. Foram de 4,13% em 2011.”
      Caso as reformas não sejam feitas, quando o superciclo de alta das commodities se encerrar, como sustentar esses 4,13%?

      “Foi o relatório japonês que mostrou isso”
      Você acha mesmo que dá p/ comparar a “eficiência” brasileira com a japonesa, americana, alemã, etc.? Já parou p/ pensar como seria um evento desses (tsunami+terremoto+vazamento nuclear) em solo brasileiro? Dá mesmo p/ comparar?

      “Isso é um problema de brasileiro. Nós não somos “macunaímas, jecas tatu e zé cariocas””
      Podemos não ser todos macunaímas, mas que ele é um legítimo herói brasileiro, isso sim. Um brasileiro pode não ser um “zé carioca”, mas adoraria ser. Você já parou p/ pensar nos grandes heróis na visão dos brasileiros?

      “Repito, esse pensamento maniqueísta é resultado de um pensamento mesquinha do brasileiro.”
      Não é não. É resultado da constatação de que o Estado e a sua máquina não funcionam como deveriam. Longe disso. E as pessoas querem cada vez mais fazer parte desse maquinário, mas não p/ melhorá-lo (!). Os serviços públicos dos países de primeiro mundo tem os seus defeitos, mas estão a anos-luz dos brasileiros. Não adianta pinçar eventos específicos p/ contrapor à nossa realidade e tentar fazer acreditar que a coisa aqui não é tão ruim como parece.

      “PS: Ricardo, falta a essa discussão um necessário contraponto, que ofereço aqui. Se possível, sugiro que isso seja postado como ‘direito de resposta’ de um guest post.”

      A web é p/ isso mesmo. Debate de idéias. Não concordo c/ as suas colocações, mas acho que enriquecem essa importante discussão. Abs.

      • tradingcafe says:

        Olá Diogo, sua resposta é postada automaticamente e todos podem ver, assim como as outras pessoas que estão dando suas opiniões. Agradeço tua participação e tuas opiniões, muito válidas e úteis para todos. Obrigado

  15. TR says:

    Essa discussão está cheia de preconceito e de ódio cegos. NÃO é verdade que brasileiros são “macunaímas, jecas tatu e zé cariocas”. NÃO é verdade que funcionários públicos são “parasitas” de um “pote de mel”. O que é isso, gente? Ricardo, olha os termos em que você colocou essa discussão? Pelo que entendi: muita gente fazendo concurso = ninguém quer iniciativa privada = país de vagabundos. Que raciocínio é esse?

    Esse tipo de coisa se discute com dados. Um deles está no Jornal Valor Econômico: https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/2/2/pagamento-a-servidores-cai-frente-ao-pib.

    Para os que não sabem ler, ou tem preguiça de fazer isso, os gastos com pessoal caíram em 2011. Foram de 4,13% em 2011. Aos incautos, isso nem de longe se compara com a Grécia, onde “12% do PIB foi gasto com o funcionalismo público em 2009” (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1229). Vale dizer que na Grécia até mesmo padres eram funcionários públicos e muito bem remunerados (http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/2/16/armadores-politicos-e-padres-mantem-privilegio). Hão de dizer que o PIB tem crescido e blá-blá-blá. Não se deixe enganar: o PIB de 2011 foi uma vergonha. Se fosse digno de algo, a queda teria sido ainda mais acentuada.

    A maioria faz de conta que não vê as mudanças acontecendo. A Câmara dos Deputados aprovou a criação das FUNPRESP’s, as fundações de previdência complementar (http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/410189-CAMARA-APROVA-PREVIDENCIA-COMPLEMENTAR-DOS-SERVIDORES-FEDERAIS,-COM-TRES-FUNDOS.html). Daqui em diante se põe fim àquilo, que concordo, era uma regalia: a aposentadoria com valor integral. Servidor da união vai se aposentar pelo piso do regime geral. No futuro isso garante não só a higidez do sistema, mas também a existência de gigantescos fundos de previdência que vão investir no Brasil.

    Ao invés de entender esse contexto, muita gente se propõe a simplesmente criticar/reclamar/xingar. Sou morador de Brasília e sou funcionário público. Ao mesmo tempo vítima de um duplo preconceito. Depois de um tempo, cansa ouvir/ler esse mesmo papo fiado.

    Isso é um problema de brasileiro. Nós não somos “macunaímas, jecas tatu e zé cariocas”, somos sim maníacos depressivos. Vou citar dois exemplos: a nossa imprensa fica exaltando os feitos japoneses diante da tragédia da tsunami e comparam: “se fosse no Brasil aquela rodovia levaria anos para ser refeita”. Talvez, pode ser. O que os brasileiros esquecem é que a população de uma comunidade inteira fugindo do colapso da usina nuclear seguiram na direção onde estava a nuvem radioativa por pura FALTA DE INFORMAÇÃO, já que a central de emergência japonesa foi dividida entre chefes (num andar) e funcionários (num subsolo). Foi o relatório japonês que mostrou isso. As pessoas se esquecem que foi na Itália onde um Barco afundou porque alguém queria se mostrar para uma população e porque um comandante fazia sua refeição acompanhado por uma loira estonteante.

    Repito, esse pensamento maniqueísta é resultado de um pensamento mesquinho do brasileiro.

    Abraços,
    TR

    PS: Ricardo, falta nessa discussão um contraponto necessário. Gostaria de pedir, se possível, que esse comentário fosse postado como um ‘direito de resposta’ de um ‘guest post’.

    • tradingcafe says:

      Bom dia TR, claro, com certeza. Já está! TR, não vejo desta forma, não há preconceito algum em relação aos funcionários públicos e nem tampouco uma acusação de que são parasitas ou não trabalham direito. A crítica é em relação ao sistema. Os funcionários seguem as regras das funções que desempenham, não havendo espaço para criação, ou para idéias individuais, porque foge ao contexto. Valeu TR, escreva sempre, obrigado.

  16. Mario says:

    Será que a culpa não é um pouco dos empresários brasileiros?
    O que eu vejo (principalmente nas empresas menores) é uma mentalidade de terceiro mundo.
    Não tratam os funcionários como membros da empresa, e sim como lacaios, tentam lucrar o máximo em cima do cara. Empresário brasileiro vive reclamando que não tem mão de obra capacitada, mas não tem a capacidade de segurar os talentos internos. Conheço um monte de gente super capacitada, que simplesmente se cansa de não ser reconhecido (e muitas vezes até mesmo respeitado) nas empresas privadas e acaba caindo fora pra fazer concurso.

    Acredito que boa parte da culpa vem dos próprios empresários brasileiros também.

  17. Marina says:

    Em geral aí nos comentários, esqueceram tb que existe médico servidor, policial servidor, advogado servidor, professor servidor… n são todos servidores da área administrativa. Não há uma criança para quem se diga: nossa, “ela tem vocação para lixeira, gari.” “Que vocação para secretária tem sua filha”, nenhum pai quer ouvir. N se pode dizer que vocação para servidor, pq n diz o suficiente.

    • tradingcafe says:

      Boa tarde Marina, com certeza, em nenhum momento buscamos desmerecer as funções,as profissões ou as diversas atividades importantíssimas necessárias que são desenvolvidos por servidores públicos, da menor especialidade à maior. O ponto em questão é que não há a mesma estabilidade e remuneração nas profissões e funções na iniciativa privada. Nossas deciões individuais são guiadas por nossas necessidades individuais e as funções públicas são no presesnte contexto, uma opção que se destaca por nos propriciarem o que precisamos. Obrigado pelo teu comentário. Abs

  18. LB says:

    Infelizmente o Brasil inverte a lógica: emprego estável deveria ter como contrapartida salário menor. Emprego instável (iniciativa privada) deveria ter salários maiores.
    Sou servidor público e me beneficio dessa lógica inversa.
    Todavia, não podemos generalizar e dizer que funcionário público não trabalha. A grande maioria trabalha sim, e muito!

    Aproveito para parabenizar o Blog. Estou sempre acompanhando, principalmente as notas sobre mercado imobiliário.

    • tradingcafe says:

      Oi Leandro, obrigado pela participação. Eu não acredito que os funcionários públicos não trabalham, muito ao contrário. Quando eu escrevi “não fazer mais nada”, eu me refiro ao estar engessado na função. Todos seguimos diretrizes e nas funções públicas não permite muita margem para podermos criar coisas novas, temos que seguir as diretrizes específicas da função. Eu estava apontando as discrepâncias que existem neste país “invertido” que vivemos e as decisões individuais que tomamos, e prestar um concurso público é “lógico” dentro do nosso contexto… Valeu, Leandro, um abraço e obrigado

  19. Maria says:

    Quem trabalha no Serviço público, atualmente, são os estagiários, isso sim! Fui estagiária durante mais de 3 anos em Tribunais na área meio(administrativa) durante a faculdade, tendo feito concurso pra poder estagiar, pois no meu estado os concursos “de verdade”, em geral, de nível médio, principalmente, são disputados “aos tapas”. Mas, em geral, quando se tem algum trabalho a fazer no serviço público, ele é feito sim (demora, mas é feito sim), mas o serviço em geral é muito repetitivo e enfadonho, o que causa certo desinteresse dos funcionários, que, diga-se de passagem, são pessoas altamente qualificadas em geral, nas funções de nível médio só tem pessoas com no mínimo uma graduação, porém exercendo funções, muitas das vezes deprimentes, mas tendo salários compatíveis com seus conhecimentos.

    Na iniciativa privada, nas grandes empresas nacionais e multinacionais, nas quais já assisti às apresentações, as dinâmicas costumam mostrar que o trabalho será mais interessante, que terei contato direto com o que aprendi, realmente, encantador, mas os salários não condizem com a carga horária exigida para o trabalho, que, segundo eles mesmos, são mais de 44 horas, e um salário digno só se você tiver “performance” e em no mínimo 6 anos. Fora que o lema de muitos é que “a empresa é muito jovem”, isso, ao meu ver, não é tão positivo, pois, pra onde vão os mais velhos? Todos viraram empreendedores, consultores ou estão na chefia e são sócios? O que vou fazer se for demita mais tarde, quando a iniciativa privada não me quiser mais? Abrir uma empresa, e se não der certo (muito provável no Brasil)? Ou acabar prestando mesmo um concurso?

    Quando entrei na faculdade, tinha perspectivas positivas acerca do mercado de trabalho, mas agora que me formei, recentemente, eu realmente estou com essa dúvida cruel de qual seria a opção “menos traumatizante” quero, pelos menos, manter minha sanidade mental!

    • tradingcafe says:

      Oi Maria, você desenhou um cenário bem triste… e muito verdadeiro porém. A melhor alternativa para nós todos (eu incluído…) é de projetar o futuro, não esperar que ele nos traga suas surpresas. Como fazer isso? Lembrar que o trabalho é um meio e não o fim em si, sempre buscar aperfeiçoamento e acima de tudo, saber controlar seu orçamento para que gaste menos do que ganhe e sempre, todos os meses, colocar uma parcela de no mínimo 10% do que você ganha numinvestimento de longo prazo. Para que isto? Para você não depender de nada após os 40 anos de idade. Essa reserva crescente irá te trazer uma tranquilidade que proporcionará a liberdade para trabalhar no que você gosta de fato quando atingir um montante, que aplicado nas taxas de juros correntes, te deem um salário adequado para teu estilo de vida. Boa sorte e escreva mais, quando vc quiser! abs

  20. Ewerton Souto says:

    Cara como pode alguém dizer que funcionário público não trabalha? Cara de fato um funcionário público no Brasil tem uma jornada de trabalho menor do que a de empresas privadas, mas isso se deve unicamente ao fato de que funcionário público só pode fazer legalmente 40 horas extras por mês e os órgãos e empresas públicas serem obrigadas a seguir a lei e não podem exigir coisas como banco de horas aos funcionários ameaçando-lhes de demissão caso se neguem a isso como ocorre em empresas privadas. Mas se você se refere aos marajás que são indicados por políticos esses sim não trabalham nada e se escoram no trabalho de funcionários efetivos. Você deveria pesquisar mais antes de postar essas asneiras. Já o descontentamento com empresas privadas se deve ao feto de elas serem altamente despreparadas e incapazes de proporcionar qualidade de vida a seus funcionários.

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