O mundo não acabou… e continua o mesmo em 2013…

Mas, o ano é novo e coisas novas são sempre bem-vindas. Este ano de 2013 começa com o mesmo tom dos últimos 5 anos, incertezas econômicas, mudanças de pólos da riqueza, diferenças sociais imensas e maiores em todo o mundo. A Europa às voltas com seus problemas já conhecidos, sem prazo para uma solução eficiente que traga o crescimento à pauta. O crescimento econômico traz a percepção de estabilidade e sentimos que estamos andando para a frente. Nos Estados Unidos, os problemas reais são graves e lá está o foco principal do que está ocorrendo no mundo. O modelo americano autofagista se expandiu até os confins do mundo e está corroendo sua própria estrutura, balançando o conjunto até o ponto da quebra. A instabilidade da hierarquia da natureza conhecida está abalada, pois temos uma disputa para assumir a liderança desta matilha mundial, mas, nenhum outro membro está preparado para assumir o lugar econômica e estruturalmente. Uma mudança de modelo surgiu, sem preparação, sem organização. No Brasil, nosso governo “democrático” está tentando conduzir uma locomotiva para andar fora dos trilhos, uma locomotiva todo-terreno, sem noção de como se faz isso. A ingerência, a intervenção na inciativa privada é muito nociva e não faz parte das regras básicas de uma democracia capitalista, o populismo das medidas e a confusão nos sinais de fumaça enviados não são positivos. Os custos no Brasil são exorbitantes para tudo, temos uma economia moderna existindo simultaneamente com ambientes econômicos e políticas de gestão da época das colônias, das capitânias hereditárias. Temos a eletricidade mais cara do mundo no país onde temos a energia mais barata, a eletricidade da geração hidrelétrica. O governo força as empresas privadas a baixarem os preços. Ótima iniciativa… Porém, não mexe nos impostos incidentes sobre a energia elétrica. Impostos estes que são incidentes inclusive sobre os próprios impostos cobrados, multiplicando a receita do governo proveniente deste ítem. O ICMS é cobrado sobre o ICMS incidente na conta de luz… além de outros impostos e taxas que são cobrados na conta. O populismo do discurso não encontra eco nas ações. Apenas para citar um dos tantos equívocos que esta forma de governar nos apresenta. A distribuição de renda continua desforme, o crescimento baseado em mão-de-obra barata, desqualificada, atolada em crediários e dívidas, sem instrução, sem educação, com impostos sufocantes e dentro de uma estrutura complexa, com um governo inflado, caro e sem planejamento de longo prazo, não trará resultados positivos nem no curto e muito menos no longo prazos. Esse modelo é antigo, não condizente com nossa atualidade, nosso tamanho, nossa força populacional, nossa extensão territorial, nossa riqueza que poderia nos trazer uma maior equalização econômica interna, levantando a barra do mínimo necessário para sairmos do nível de subsistência e passássemos ao próximo nível, o de crescimento, de criação de valor, de igualdade. Mas cada um de nós tem sua responsabilidade nisso, neste processo. Nossa responsabilidade é a de criarmos, cada um em seu micro-universo, condições necessárias para que uma mudança, neste ano novo e no resto de nossas vidas de brasileiros, seja real e positiva. Fazemos vista-grossa para tudo, sabemos onde estão o erros e somos coniventes, enxergamos os erros e dizemos ” é assim que é…” e tudo continua igual. Não emitimos opiniões, não participamos das decisões políticas, não acompanhamos a formatação das leis, nem sabemos quem são as pessoas que criam nossas leis. Isso é inaceitável e também é aceitável porque não temos formação adequada para podermos entender que o governo trabalha para nós, que o governo é como a administração de um condomínio, onde pagamos nosso condomínio e um grupo eleito, o síndico, administra os recursos para o nosso interesse, comum a todos. Hoje vivemos num mundo individualista, auto-centrado, consumista, onde as marcas das roupas estão maiores que a própria peça de roupa, cartazes ambulantes…. e ainda pagamos caro por isso. Para as marcas, para os bancos, para o governo. Desejo que este ano novo traga mais consciência a todos nós. Mais análises empíricas, mais reflexão, mais ações reais para o todo. O Homem não é uma ilha, não somos os lobos da estepe, e, a cada vez que fechamos nossos olhos para o que está errado, aumentamos os muros das nossas casas, as fechaduras e cadeados de nossas portas e portões e nos afastamos de nós mesmos, de nossa essência humana, da importância que o ser humano tem, começando por nós mesmos e contaminando tudo e todos à nossa volta. O individualismo é medo e o medo jamais poderá vencer. Precisamos uns dos outros e devemos atuar desta forma. A coletividade saudável traz a vida segura, próspera. Vivemos num jogo de soma positiva, quando deveríamos viver num jogo de soma-zero, com a riqueza a alcance de todos, com patamares mínimos positivos para todos. A soma-positiva deste jogo significa desigualdade, medo, violência e insegurança. As medidas governamentais contribuem e perpetuam esse modelo individualista desigual. Desejo que 2013 seja o ano da mudança de atitudes. Que o coletivo do nosso país seja realçado em detrimento das vantagens individualistas que afastam e atrasam nosso crescimento. Eu acredito que podemos mudar isto. Um feliz 2013 para todos nós.

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3 Responses to O mundo não acabou… e continua o mesmo em 2013…

  1. ThatGuy says:

    Professor, que tal um video novo para o começo do ano?

  2. Rodrigo Costal says:

    Professor, alinhado com seu post assiti recentemente o filme Zeitgeist Moving forward que fala de uma economia não baseada no fluxo de capitais mas em uma econonimia baseada e recursos.

    Achei a teoria interessante mas para implementá-la seria necessário uma ruptura com o modelo atual e a quebra de vários paradigmas. Acho uma opção não viavel em um curto espaço de tempo.

    Segue o Link

    Abaços e bom 2013

  3. Carlos says:

    Foi o que o socialismo tentou implementar, leia mais escolas economicas (de chicago e austriaca) para ver que o zeighist aí não funcionaria.

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