Mercados patinam, movimento de alta inercial termina. Dívida Americana…

Os mercados demonstram que a força inercial de alta da febre de janeiro está terminando. Bolsas sem direção, sobem um pouquinho e caem um pouquinho. O tema de hoje é uma daquelas agências de classificação de risco, a Fitch, que “ameaça” retirar o rating de risco zero (AAA) dos Estados Unidos, caso o impasse sobre o teto da dívida não seja resolvido. Elas trabalham para medir risco ou o que? Não é função destas agências pressionar para governar. O risco é a dívida, não o teto desta. Desta forma, o risco existe. Quando aumentarem o teto da dívida soberana americana de USD 16,4 trilhões para, vamos dizer, USD 18 trilhões, irá solucionar o problema? Não. O problema é que a economia está exausta, não cresce, nem com juros próximos a zero. Se a economia não cresce, o governo não arrecada impostos suficientes para quitar esta dívida. E o problema está aí, este risco existe e é real. Aumentando a dívida pública a inflação irá aumentar. Imprimindo mais dinheiro para pagar contas, a inflação vai aumentar. E o resultado é um risco maior e crescente e um dólar mais fraco, pois o mesmo estoque de valor será representado por mais notas de dólares, tirando o valor individual destas. E os Estados Unidos são importadores líquidos.

O modelo econômico daquele país, nos últimos 20 anos, foi criado com base em um dólar forte, pois não produzem o que consomem e precisam pagar por isto para o exterior. Assim, aumentar o teto da dívida não reduz o risco, posterga o problema e acarretará em maiores problemas lá na frente. Para todo mundo. O dólar mais fraco significa que o mundo pedirá mais dólares para vender petróleo (petróleo sobe), commodities de todos os tipos cotadas nesta moeda (que também sobem) e isto espalhará inflação para o resto do mundo, se não for acompanhado de queda na cotação do dólar contra as outras moedas. O que não acontece de forma linear.
Desta forma, o resultado disso é que está ocorrendo um empobrecimento geral da população mundial, juros baixos, inflação alta, taxas de câmbio erradas.

Agora, se as agências de classificação de risco cumprirem seu verdadeiro papel de medir o risco, e não ficarem ameaçando que irão (com os outros países estas agências não avisam, cortam o rating e pronto), o problema não será menor. Nos estatutos de investimento de reservas internacionais dos países, consta que o dinheiro do país deve ser investido em títulos soberanos de países livres de risco, risco zero, com rating AAA, com no mínimo duas agências com rating AAA. A Standard & Poor’s já cortou este rating. Se a Fitch o fizer, serão duas, e isto vai gerar um caos, ou de corrida para mudança do estatuto de reservas soberanas ou de venda a toque de caixa dos bills, notes e bonds do tesouro americano… E já vimos isto antes, nunca nos Estados Unidos, mas nos países emergentes. Uma venda desta magnitude causa uma fuga de capitais, a taxa de juros explode e a moeda despenca para níveis assustadores.

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2 Responses to Mercados patinam, movimento de alta inercial termina. Dívida Americana…

  1. Tlnz says:

    Ricardo, excelente post. Você acha que a Fitch pode ser o estopim, o início de tudo?

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